Hepatite C afeta mais de 200 mil pessoas no Brasil e pode causar problemas nos olhos.

5 May 2020

 

A hepatite C é uma doença infecciosa viral que afeta em torno de 200 milhões de indivíduos no mundo todo.

Essa infeção começa de maneira aguda, mas pode evoluir para a forma crônica em 50 a 80% dos pacientes, trazendo inúmeros prejuízos para a saúde. A forma crônica da doença atinge cerca de 71 milhões de indivíduos e pode levar à fibrose hepática, cirrose, câncer de fígado e até a morte. Atualmente, pacientes com hepatite C são a maior causa para indicação de transplante de fígado em vários países.

Só no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, foram notificados 331.855 casos de hepatite C de 1999 a 2017, e mais que 60% desses eram indivíduos da região Sudeste. Do ano 2000 a 2015 foram relatados quase 50 mil óbitos associados à hepatite C no país. Pois é, hepatite C não é brincadeira. 

MAS O QUE A HEPATITE C TEM A VER COM OS OLHOS?

É uma pergunta justa, já que o órgão mais afetado pelo hepacivírus C (HCV) é o fígado. Entretanto, é preciso ficar atento não só a alguns sintomas causados pelo HCV como também pelos efeitos colaterais causados pelos medicamentos usados no tratamento da doença.
Os primeiros sintomas oculares causados pelo HCV envolvem a superfície do olho. Daí, os pacientes infectados podem apresentar, principalmente, ceratoconjuntivite seca. Vários estudos também relataram alta frequência da síndrome do olho seco, quando comparado com a população em geral. Outras manifestações oculares também são documentadas, incluindo ceratite, esclerite e retinopatias. Segundo os especialistas, a origem dessas alterações oculares é possivelmente devida à ação direta do vírus e a reações imunológicas a certos antígenos virais e até complexos imunológicos.

O TRATAMENTO TAMBÉM INFLUENCIA NA SAÚDE OCULAR?

Sim, podem ocorrer alguns efeitos colaterais nos olhos decorrentes das drogas usadas no tratamento contra a hepatite C. Inicialmente, as terapias utilizadas com pacientes infectados pelo HCV eram feitas a base de interferons (INF), substâncias produzidas por células de defesa do nosso organismo que interferem na replicação viral estimulando a atividade de defesa de outras células. Entretanto, esse tipo de tratamento resultava em efeitos colaterais desastrosos para a maioria dos pacientes.
Uma segunda abordagem associou o tratamento dos interferons com uma substância chamada ribavirina. Isso não ajudou tanto na questão dos efeitos colaterais, mas aumentou (e muito) a resposta dos pacientes no quesito combate ao vírus. Atualmente, o tratamento para a hepatite C é feito com medicamentos Antivirais de Ação Direta (do inglês, DAAs) que, como o próprio nome diz, interferem diretamente na ação do vírus dentro do organismo.
A partir da implementação do tratamento com DAAs, que, no Brasil, ocorreu apenas em 2015, os efeitos colaterais diminuíram bastante, dando aos pacientes uma melhor qualidade de vida e um melhor prognóstico. Mas o uso dos DAAs não excluiu o tratamento com interferon e ribavirina, e em todos os tipos de tratamento podem resultar em efeitos colaterais oculares.

- EFEITOS COLATERAIS OCULARES CAUSADOS POR INTERFERON E RIBAVIRINA:
Com relação ao interferon, a incidência de retinopatia associada varia bastante, entre 18 a 86% dos pacientes. Além disso, outros problemas oculares já foram associados à administração desse medicamento, como edema macular, neuropatia isquêmica (uni ou bilateral), com cegueira e infarto do nervo óptico, por exemplo.
Já no caso da ribavirina, a conjuntivite é seu principal efeito colateral ocular. Além disso, ela também aumenta o risco e a gravidade da retinopatia quando combinada com o IFN. Esse efeito potencializador do IFN pode ser atribuído a alterações no sistema imunológico no equilíbrio entre as células T tipo 1 e 2 auxiliares.

- EFEITOS COLATERAIS OCULARES CAUSADOS POR DAAs:
Felizmente, os efeitos colaterais relacionados aos DAAs são bem menores do que os do tratamento de interferon e ribavirina. No entanto, em poucos casos é relatado a presença de retinopatia e uveíte associada ao uso de ribavirina e sofosbuvir (um tipo de medicamento DAAs). A combinação dos DAAs ledipasvir e sofosbuvir, por exemplo, pode estar relacionada ao desenvolvimento de perda visual aguda indolor, unilateral e com déficits no campo visual e edema do disco óptico.

É BOM FICAR ATENTO!

Ainda não existem muitas pesquisas relacionando os efeitos oftalmológicos do vírus da hepatite C, nem dos efeitos colaterais oculares dos tratamentos disponíveis. Assim, se você tem hepatite C ou conhece alguém que esteja fazendo o tratamento é preciso alertá-los dos perigos na visão. E, claro, os oftalmologistas também devem ficar atentos ao surgimento desses sintomas e iniciar o tratamento o mais rápido possível.
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MAIO VERMELHO: CONTRA HEPATITES
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Dr. Marcelo Menegatti | Oftalmologista

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Fonte:
Bertrand, Romero Henrique Carvalho, Bertrand, Adriana Leite Xavier, Gomes, Thais Mota, & Ferreira, Adalgisa de Sousa Paiva, Arquivos Brasileiros de Oftalmologia, "An eye on hepatitis C: a review." Disponível em:
https://doi.org/10.5935/0004-2749.20190027

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