Entenda de uma vez por todas o Tratamento da Retinopatia Diabética

26 Feb 2020

 

Você já sabe que o consumo excessivo de açúcar e a elevada taxa de glicose no sangue podem trazer diversos problemas para o organismo. No entanto, para os pacientes que têm Diabetes Melitus, a glicemia descontrolada pode prejudicar seriamente sua visão, afetando a retina e podendo causar cegueira irreversível.
 

Basicamente, a RETINOPATIA DIABÉTICA é definida como uma série de lesões da retina decorrentes da deficiência de irrigação sanguínea deste tecido. Se não tratada rapidamente, a retinopatia causa danos irreversíveis para a visão.
 

O acúmulo de glicose na circulação sanguínea e as alterações vasculares decorrentes disso bloqueiam a passagem de sangue e favorecem o surgimento de hemorragias, atrapalhando gravemente a visão. Segundo a Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo (SBRV), após 20 anos de doença, mais de 90% dos diabéticos tipo 1 e 60% com o tipo 2 apresentarão algum grau de retinopatia. Mas como funciona exatamente o tratamento para essa doença?
 

PRIMEIRO: EXISTE MAIS DE UM TIPO DE RETINOPATIA?
Na verdade, sim. É comum dividir a retinopatia diabética em duas fases: a NÃO PROLIFERATIVA, menos avançada, e PROLIFERATIVA, um estágio mais sério:

• FASE NÃO PROLIFERATIVA: é possível que surjam pequenas dilatações, obstruções e hemorragias nos vasos sanguíneos, o que faz com que a retina deixe de receber oxigênio e nutrientes. Esse processo estimula o organismo a formar novos vasos.

• FASE PROLIFERATIVA: é uma fase subsequente à primeira, nela ocorre uma neovascularização na superfície da retina, geralmente fragilizada e com maior potencial de ruptura e liberação de sangue. É nesse momento em que são maiores as chances de perda de visão, podendo levar ao DESCOLAMENTO DE RETINA.


MAS E O TRATAMENTO?
Após o diagnóstico feito por exames como Fundoscopia, Retinografia colorida e até o OCT, Tomografia de coerência óptica, que têm a função de analisar a região do fundo do olho e, portanto, a condição da retina, existem uma série de passos a serem tomados pelo paciente. O primeiro deles, e o mais importante para a saúde em geral, é o controle da glicemia e pressão arterial, por meio de dieta rigorosa e prática de exercícios e uso regular das medicações prescritas. Apesar disso fazer parte do tratamento, são elementos cruciais e devem ser realizados por todos os diabéticos, além de se consultar regularmente com um oftalmologista.
 

• Para as pessoas com EDEMA MACULAR DIABÉTICO:
Neste caso, o tratamento envolve a administração de injeções no olho com alguns medicamentos, por exemplo, ranibizumabe, bevacizumabe ou aflibercepte, que são chamados medicamentos anti-VEGF.

As pessoas podem também receber implantes injetados, que lentamente liberam níveis constantes de um corticosteroide nos olhos, com a função de diminuir a inflamação e o inchaço. Implantes contendo o corticosteroide dexametasona, por exemplo, são úteis para pessoas com edema macular persistente. Tratar o edema macular pode melhorar a visão.

Outros tratamentos são fotocoagulação a laser, em que um feixe de laser é dirigido à retina para diminuir o crescimento de novos vasos sanguíneos anômalos e reduzir os derrames no olho. É bom deixar claro que pode ser necessário repetir a fotocoagulação a laser.


Se a hemorragia provocada pelos vasos lesionados for grande, pode ser necessário um procedimento chamado vitrectomia. Aqui, o sangue é extraído da cavidade onde está localizado o humor vítreo. A visão frequentemente melhora após a vitrectomia ser realizada para tratar hemorragia vítrea, descolamento da retina por tração ou edema macular. O tratamento a laser raramente melhora a visão, mas quase sempre impede futura deterioração.

Apesar dos tratamentos serem descritos separadamente, é possível que o oftalmologista combine mais de um para minimizar os danos na visão. A Academia Americana de Oftalmologia publicou recentemente alguns estudos que defendem o uso das injeções anti-VEGF intravítreos com métodos de fotocoagulação, por exemplo.


Se você tem diabetes ou conhece algum diabético deve sempre estar lembrando de manter os níveis de glicemia e pressão arterial normais. Além disso, todo diabético deve se consultar regularmente com um oftalmologista para a avaliação da visão. Lembre-se que quanto mais cedo se é diagnosticado, menores são as consequências.

Ficou com alguma dúvida ou precisa de alguma orientação? Estou à disposição para te ajudar! Entre em contato e marque um atendimento.

Fontes:
Dr. Peter A. Campochiaro et al., Academia Americana de Oftalmologia, “AntieVascular Endothelial Growth Factor Agents in the Treatment of Retinal Disease”. Disponível em:
http://dx.doi.org/10.1016/j.ophtha.2016.04.056

Dra. Sonia Mehta, MSD Manual, “Retinopatia diabética”. Disponível em:
https://www.msdmanuals.com/pt-pt/casa/dist%C3%BArbios-oftalmol%C3%B3gicos/doen%C3%A7as-da-retina/retinopatia-diab%C3%A9tica

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