A causa da Degeneração Macular pode estar no intestino! Entenda mais.

12 Feb 2020

 

Bom, Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) você já sabe, é uma das doenças oculares mais comuns na terceira idade. É decorrente de múltiplos fatores que afetam a área central da retina, chamada de mácula, e com o envelhecimento, essa região corre o risco de perder sua estrutura normal. As alterações da mácula afetam diretamente a visão sendo, atualmente, a principal causa de cegueira em pessoas acima de 65 anos. Mas você deve estar pensando “o que o intestino tem a ver com a degeneração da mácula?” Calma lá, seu corpo está mais interligado do que você imagina.

 

PRIMEIRO: O QUE CAUSA A DEGENERAÇÃO MACULAR?

 

A doença está ligada, de um modo geral, a questões genéticas e, principalmente, ao envelhecimento natural do organismo. Além disso, de acordo com a Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo, há alguns fatores de risco que devem ser levados em conta, como fumar, ficar muito ao sol, hipertensão e obesidade, por exemplo.

Na maioria dos casos (cerca de 90%), a degeneração macular se apresenta sob a forma seca ou não-exsudativa, quando as complicações ocorrem de forma mais lenta e há possível formação de drusas no fundo do olho e atrofia das células fotorreceptoras da retina. Por outro lado, em 10% dos casos, há a forma úmida ou exsudativa, caracterizada pela formação de vasos sanguíneos anormais sob a retina, alterando sua anatomia e acelerando o processo de perda irreversível da visão central.

 

EXISTEM MEDIDAS QUE PREVINEM A DMRI?

Como tudo na vida, a prevenção é sempre uma boa pedida. No caso dos danos da DMRI, ter medidas saudáveis é muito importante, principalmente se já existem casos da doença na família. Alguns estudos científicos demonstram que a ingestão de algumas substâncias na alimentação ajuda na preservação geral da visão, por isso dicas essenciais são:

 

• Não fumar;

• Comer mais alimentos ricos em ômega-3, como certos tipos de peixe e vegetais verde-escuro;

• Consumir alimentos ricos em vitaminas A, C e E, usadas para tratar pessoas que já têm a doença;

• Controlar sua pressão arterial e peso.

 

E O QUE O INTESTINO TEM A VER COM DOENÇAS NOS OLHOS?

 

Estudos recentes desta área divulgados pela Associação Americana de Oftalmologia demonstraram que as respostas da retina frente a atuação de uma certa vitamina ou micronutriente na circulação sanguínea são mais complicadas do que se pensava. As evidências obtidas por eles apontaram para outro colaborador da saúde retiniana: sinais moleculares de microrganismos intestinais.

 

DESCOBERTA DO “EIXO INTESTINO-RETINA”

Os cientistas já estão familiarizados com eixos entre diferentes órgãos e suas interligações no corpo humano. O eixo intestino-cérebro desregulado, por exemplo, está relacionado no risco de doença de Alzheimer. Assim, os pesquisadores identificação ligações entre a absorção e comportamento do intestino com a preservação (ou deterioração) da retina, denominando-as “eixo intestino-retina”.

Esta pesquisa, feita na Universidade Tufts em Boston, avaliou os resultados da alimentação, absorção de nutrientes e preservação da microbiota intestinal e manutenção da retina em ratos. Basicamente, testaram grupos de animais com dietas com alto índice glicêmico e baixo índice glicêmico, para testar os danos retinianos, além da avaliação de grupos sob ação de antibióticos que destroem as bactérias intestinais normais, o que interfere na absorção e metabolismo de alguns nutrientes importantes para o nosso corpo.

Resultados de pesquisas prévias demonstraram que os animais com uma dieta rica em açúcar eram mais propensos ao desenvolvimento de uma doença retiniana semelhante à DMRI em humanos. Enquanto que os com uma alimentação “mais saudável” não apresentavam esse tipo de alteração ocular.

Entretanto, segundo os dados deste estudo, os cientistas desenvolveram uma hipótese de que os microrganismos comensais do intestino, ou seja, as nossas “bactérias boas”, ou os seus metabólitos, as substâncias que eles produzem e que fazem bem para o nosso corpo, podem estar diretamente relacionados com a proteção da retina. Isso porque as bactérias e/ou seus metabólitos interagem com o sistema imune para a proteção das células da retina em resposta a uma dieta com menos açúcares e também podem exercer um efeito neuroprotetor.

O próximo passo da pesquisa é a avaliação desse comportamento em pessoas com DMRI e ou que têm casos na família da doença para a prevenção e estudo. Ainda existem muito para se descobrir sobre os processos bioquímicos dessas substâncias na proteção dos nossos olhos, porém fato é que ter um estilo de vida saudável não está apenas relacionado à imagem ideal ou doenças metabólicas, mas também com a sua saúde ocular.

 

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Fonte:

Academia Americana de Oftalmologia, Linda Roach, “AMD Risk May Lie in the Gut”. Disponível em:

https://www.aao.org/eyenet/article/amd-risk-may-lie-in-the-gut

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