Minha retina pode se curar "sozinha"?

3 Oct 2019

 

Podemos dizer que “ainda não”, mas num futuro próximo, é bem possível! Um estudo da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos, avaliou o comportamento do zebrafish, uma espécie de peixe amplamente usada para estudos científicos. Os pesquisadores, avaliando as condições de regeneração da retina nesses peixes, descobriram um sinal neurológico que parece ser a chave para desencadear esse processo de auto reparação.

 

Assim, se isso for confirmado, essa descoberta pode levantar possibilidades de que as retinas humanas também possam ser induzidas a se regenerar, “sozinhas”. O gatilho para o auto reparo foi pensado principalmente nos casos de danos causados por doenças e lesões degenerativas da retina, como a Degeneração Macular Relacionada à idade e Retinite Pigmentosa, por exemplo.

 

MAS COMO A RETINA PODE SE AUTO REPARAR?
Segundo os pesquisadores, o que se entende até agora é que o processo de regeneração da retina nos peixes é desencadeado pela secreção de fatores de crescimento, ou seja, substâncias, em sua maioria proteínas, responsáveis por estimular as células para que se dividam, levando ao crescimento do tecido. No entanto, os pesquisadores também sugerem que o neurotransmissor GABA pode estar ligado ao início desse processo. O que faz disso um importante passo para a criação de novos tratamentos para pessoas cegas, com implicações no campo mais amplo da medicina regenerativa.

 

A estrutura da retina dos peixes e dos mamíferos é semelhante. Assim, foi possível fazer esses testes e cruzar essas informações.

 

E COMO FORAM FEITOS ESSES TESTES?
Segundo a pesquisa, os experimentos foram feitos de duas maneiras: cegando o peixe e injetando-os drogas que estimulam a produção de GABA, e injetando nos peixes normais uma enzima que reduz os níveis de GABA em seus olhos.

 

O zebrafish é facilmente “cegável”, se ele estiver na escuridão total por vários dias e depois expostos à luz muito forte, todos os fotorreceptores em suas retinas são destruídos. Mas, pelo fato de ter uma grande capacidade regenerativa, seus olhos se recuperam em apenas 28 dias.

 

Quando os biólogos injetaram drogas que mantinham as concentrações de GABA nas retinas de peixes recém-cegos em um nível alto, eles descobriram que isso suprimia o processo de regeneração. Por outro lado, quando injetaram uma enzima que reduz os níveis de GABA nos olhos de peixes normais, descobriram que algumas células específicas começaram a proliferar, configurando o primeiro estágio do processo de regeneração.

 

Dessa maneira, os cientistas propõem que uma queda na concentração do GABA é o gatilho para a regeneração. Quando, então, se inicia uma cascata de eventos que inclui a ativação de algumas células e a produção de vários fatores de crescimento que estimulam o crescimento e a proliferação celular do tecido. 

 

Contudo, é claro que ainda tem muito o que se estudar sobre o assunto.

 

Viu só a importância de aliarmos os conhecimentos científicos à prática clínica?!
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Fonte:
David Salisbury, Futurity, “Fish Retinas Heal Themselves. Could Ours, Too?”.

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